Hoje acordei bem disposta, como todos os dias.
Propago-me através do ar, saltando de raio se sol em raio de sol, utilizando as nuvens como trampolim. Apenas uso as nuvens branquinhas e fofas que parecem algodão em rama. Nuvens levíssimas de uma brancura transparente, translúcida, em que apetece mergulhar. Não gosto daquelas escuras, carregadas, que ameaçam tempestade. Parecem estar sempre mal dispostas e são feias. Recuso-me a utilizá-las como trampolim, pois teria medo de afundar naquela cinzentomonotonia, qual algodão com bolor, deteriorado.
Mas tal como eu dizia - eu sou sinónimo de alegria, boa disposição, estabilidade, riqueza, riso, boa-vida,... - tenho tendência a dispersar-me no discurso e na vida, peço desculpa por isso, não sei se é da idade avançada (já lá vão uns séculozitos de existência), das armadilhas que me lançam quotidianamente (e às quais tenho que escapar ardilosamente), do mau olhado das invejosas das minhas antónimas ou do excessivo assédio das criaturas humanas que me colocaram no primeiro lugar no top das suas prioridades. De facto, eu sou o que os ricos, os pobres ou os remediados, os infelizes e os felizes, os políticos e os eleitores, os patrões e os proletários, os empregados e os desempregados, as crianças e os adultos, ...enfim, o que todos, mas todos mesmo, almejam, visam. Vejam uma entrevista de qualquer pessoa que é pessoa, ou seja, que é conhecida, que é alguém na sociedade, que é famosa ou com pretensões a sê-lo, escutem bem as respostas dadas por qualquer político, futebolista, zé-ninguém, maria-alguém, ... e atentem bem ao que pretendem na vida, qual é o seu grande objetivo. Querem-me! É a mim que querem, Eu sou o seu grande objetivo. Podem ter tudo na vida, mas não me têm a mim. Na totalidade, segundo dizem, nunca vão conseguir ter-me. Ainda não percebi se é porque sou difícil ou se é porque os seres humanos são difíceis e complicados. Eu acho-me tão fácil de alcançar. Encontro-me nos pequenos e nos grandes momentos da vida, estou disponível a qualquer hora do dia ou da noite, estou ao dispor gratuitamente, mas também posso ser comprada (embora não tenha preço!) e sou um camaleão on demand, pois revisto a forma que cada olhar possui de mim. Eu sou uma ideia, um conceito, uma filosofia; não tenho forma definida e sempre que me corporizo, faço-o nos moldes de quem me almeja, de quam anela por mim e arrisca tudo para me ter, para estar comigo nem que seja fugazmente. É talvez essa uma das razões que justificam a dificuldade em atingir-me: sou diferente de pessoa para pessoa, não há receita, não há trilho definido, não há tutorial, não há guião. Quem me quer, tem que arriscar e tem que me aceitar aos pedaços. Sou várias formas, sou vários caminhos, tenho vários cores. Sou, sinto-me e sentem-me diversa, múltipla, mas única no nome e na certeza que todos têm em possuir-me. Sou a FELICIDADE!
Rosa Lídia
29.12.2011
Nota: Com votos de Bom Ano para todos ... com muita, muita FELICIDADE, qualquer que seja(m) a(s) forma(s) que ela revista para vocês.