Ela nunca se tinha visto assim - à noite, iluminada pela luz das estrelas, reflectida no manto de água da casa do avô. Foi dele que fugiu, sorrateiramente. A nitidez da lua e o canto das rãs guiaram-na até lá.
Mal chegou ao lago sentiu-se perplexa. A curiosidade prendeu-lhe os movimentos, julgava-se mais pequena.
A água revela mais do que a matéria. Lá, consegue ver a sua alma de gigante, recheada de fantasias, cores e sonhos. Por momentos, a menina desproporcional é invadida por emoções que já não cabem nas vestes de uma criança - e espalham-se no lago. Um som assombra o reflexo. A menina é surpreendida pela rã que seguira e desperta. O reflexo convida agora a brincar.
Marília Moura
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