De forma agitada, retirou uma caixinha do seu saco pessoal. Depois de intermináveis minutos procurando no caos próprio das malas femininas.
A música de fundo sofria o efeito do eco resultado da parte de um semi-círculo por trás de si, com fundo em madeira.
Uma outra parte da parede mostrava uma gravura em azul transparente parecendo a imagem de um lago. Chamou-lhe a atenção, nessa gravura, a existência de bocadinhos e grandes bocados de lixo civilizional: papéis feitos diário, ossos animais, até talvez humanos. Talvez fetos rejeitados cuja vida em erupção foi marcada em hora dada por famosíssimo relógio suíço com ajuda de afiado canivete. Nessa imagem, que depressa se estilhaçou em vidrinhos reluzentes, procurou encontrar a chave para romper a sua amnésia.
E o mapa da vida fará com que ama esteja de novo ali sentada, no mesmo sítio e no mesmo sítio eu esteja a vê-la.
Cristóvão Sá Pimenta
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